Áurea Carolina questiona PBH, Governo de Minas e Ministério do Turismo sobre medidas para diminuir os impactos do cancelamento do carnaval para trabalhadores

Em uma hora dessas, no ano passado, a gente já estaria preparando a maquiagem e as fantasias para o queridíssimo carnaval de BH. Mas este ano não tem folia na capital mineira e em todo o Brasil – e isso será fundamental para deter o avanço da pandemia. O que não dá pra ignorar é o impacto desse cancelamento para uma imensa rede produtiva de trabalhadores e trabalhadoras, responsáveis por movimentar a principal festa popular do nosso calendário.

Escolas de samba, blocos de rua e caricatos, artistas, musicistas, produtores culturais, rede hoteleira, bares e restaurantes, guias turísticos, vendedores ambulantes e catadores de materiais recicláveis, para mencionar alguns, terão sua fonte de sustento drasticamente afetada este ano. Sem festa, não há renda.

Só para se ter uma ideia, em 2020 foram mais de 4 milhões de foliões nos cinco dias de festa em BH, com quase 400 blocos e desfiles de rua e quase 15 mil vendedores ambulantes trabalhando nas ruas. Em 2018, a festa na cidade movimentou cerca de R$ 290 milhões, com uma arrecadação de R$ 12 milhões em impostos indiretos líquidos. O Carnaval de BH é enorme, gente!

Nosso mandato está em diálogo com representantes dos segmentos afetados e o sentimento geral é: há negligência por parte do poder público nas três esferas. São raras as exceções, como é o caso de Belém, que vai investir em subsídios para mais de 50 escolas de samba e blocos de carnaval da cidade por meio do edital “Carnaval o ano todo”, lançado pelo prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL). Até agora, nem a Prefeitura de BH nem o Governo de Minas propuseram alternativas de auxílio.

Mesmo os recursos da Lei Aldir Blanc, acessados por alguns grupos, não são nem de longe suficientes para arcar com os efeitos do cancelamento do carnaval na cidade e no estado. É também estarrecedor o silêncio do Ministério do Turismo e da Secretaria Especial de Cultura: não apresentaram nenhuma medida de fomento específica para aliviar os efeitos da drástica redução da atividade cultural e turística nesse período tão importante.

Nosso mandato enviou pedidos de informação a diferentes órgãos públicos cobrando ações para mitigar os impactos econômicos, sociais e culturais do necessário cancelamento da festa. Os ofícios foram enviados para o prefeito Alexandre Kalil e para os titulares da Belotur e da Secretaria Municipal de Cultura. O governador Romeu Zema e o secretário de Estado de Cultura e Turismo também foram acionados, bem como o ministro do Turismo.

O Carnaval é um patrimônio cultural nacional e sua continuidade nos próximos anos está em risco! Precisamos amparar e dialogar com quem faz a festa acontecer!

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